Postado em 27 de Janeiro às 15h05

Cultivo nas alturas em São Paulo

Gestão Pública (22)

Engenheiro e ecóloga criam primeira telha hidropônica do mundo

Angela Piana

Você é daqueles que sempre sonhou em ter um telhado verde na sua casa? Não falo só da ideia de colocar plantas para absorção da água da chuva e melhora da umidade e temperatura. Imagine ter telhas que permitem criar, em qualquer estrutura, um jardim, uma horta ou uma lavoura!? Isto tudo já é possível graças a uma invenção brasileira: as telhas hidropônicas, novidade no mundo, desenvolvidas em Itú, interior de São Paulo, pelo engenheiro agrônomo Sérgio Rocha e sua sócia, a ecóloga Fabiana Scarda. O desafio foi criar um telhado de simples instalação, fora do padrão convencional, sem a necessidade de cobertura de laje e impermeabilização.

“Apesar do potencial, os telhados verdes são menos de 1% das coberturas no mundo pela dificuldade de adequação estrutural que inviabiliza sua aplicação na maior parte das construções. Por isso, criamos um produto que não é um item a mais na edificação. A telha hidropônica é de fato um telhado, cumprindo com sua função de cobertura, porém, dispensa a instalação de mantas de impermeabilização ou outra forma de estanque. Sua fixação é feita sobre a estrutura base de qualquer tipo de telhado”, explica Sérgio.

A fabricação é feita em formato “sanduíche”, com duas telhas de fibra de vidro e resina plástica, contendo buracos onde são colocadas as plantas. A parte interna, o chamado recheio, é de poliuretano que poderá ser substituído em breve pelo isopor. Ainda na parte de dentro, há um caminho para a distribuição da água. Cada metro quadrado da telha hidropônica pesa 10kg, com capacidade para 45kg, considerando a água da irrigação e o peso da vegetação.

Outro diferencial da telha hidropônica é o sistema automatizado que permite ao “agricultor urbano” programar a irrigação e ainda monitorar a umidade, teor de adubação, consumo de água, temperatura e potencial hidrogeniônico (pH). Um sensor envia as informações que são acessadas em tempo real por meio de um aplicado digital. O sistema é inteligente e percebe, por exemplo, que é possível parar a irrigação quando chove.
Em cada metro quadrado de telha é possível cultivar até 20 mudas e as indicações são variadas, muito além dos tradicionais cultivos urbanos.

Como a intenção do projeto é a ampliação da escala de produção agrícola, é possível plantar tomates, abobrinhas, morangos, arroz, feijão, aveia, milho e trigo. O recorde de colheita até agora foi sete quilos de trigo produzidos em 35 metros quadrados.

“Com a telha hidropônica também é possível cultivar forrações e capins ornamentais, tanto para telhados verdes como para jardins verticais. Depois da colheita, a matéria orgânica que sobra é reaproveitada como adubo para o próximo cultivo”, detalha o idealizador do projeto.

“Em cada estação é possível ter uma cultura diferente. Seja um jardim, horta ou lavoura, a telha hidropônica permite colher e plantar quantas vezes você quiser, transformando a paisagem da sua casa”, acrescenta.

O novo sistema de cobertura vem sendo testando desde 2012 e só agora passou a ser comercializado. A telha hidropônica custa R$ 300 ao metro quadrado, com sistema de irrigação e plantas à parte. 

Veja também

Salvem as abelhas!18/12/19 Projeto em Curitiba cria Jardins de Mel para preservar espécies ameaçadas de extinção. Insetos são responsáveis pela renovação do ciclo vegetal e pela produção de alimentos no mundo Keli Magri Responsáveis pela conservação dos ecossistemas, as abelhas são fundamentais para o meio ambiente. Elas respondem pela......
Hoje Brumadinho...e amanhã?16/04/19O alarme não soou e quando se percebeu, a lama já arrastava tudo o que estava pela frente. Por Tuanny de Paula Sem aviso e um barulho estrondoso. Esse é o relato dos moradores do município de Brumadinho/MG sobre o rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, administrada pela empresa Vale. O desastre aconteceu......
Brasil diminui uso de substâncias que afetam camada de ozônio27/07/17Em compromisso com Protocolo de Montreal, País já eliminou 34% do consumo de Hidroclorofluorcarbonos, usados na produção de ar-condicionados e geladeiras. O Programa Brasileiro de Eliminação dos Hidroclorofluorcarbonos (HCFCs), substâncias que afetam a camada de ozônio, já possibilitou a retirada de 34% do consumo brasileiro desses elementos, cuja meta é de 35% para o ano......

Voltar para NOTÍCIAS