Postado em 18 de Dezembro de 2019 às 14h07

Salvem as abelhas!

Gestão Pública (21)

Abelhas jataí, uma das cinco espécies trabalhadas no programa - Daniel Castellano/SMCS

Projeto em Curitiba cria Jardins de Mel para preservar espécies ameaçadas de extinção. Insetos são responsáveis pela renovação do ciclo vegetal e pela produção de alimentos no mundo

Keli Magri

Responsáveis pela conservação dos ecossistemas, as abelhas são fundamentais para o meio ambiente. Elas respondem pela polinização de 85% das plantas do planeta e 75% dos alimentos consumidos no mundo. Para se ter uma ideia da importância destes insetos, uma a cada três refeições depende das abelhas.

Todos esses dados receberam atenção especial numa das capitais brasileiras mundialmente reconhecida pela sustentabilidade: Curitiba. O município criou o projeto Jardins de Mel para promover a reintrodução e conservação dos polinizadores nativos, bem como toda fauna e flora que dependem dos serviços de polinização para produção de frutos e sementes. O projeto instalou 59 colmeias de abelhas sem ferrão em locais públicos e desde 2017 conta com a ajuda da comunidade para preservar cinco espécies diferentes em 40 Jardins de Mel distribuídos em parques, praças, bosques, escolas municipais e hortas comunitárias.

Além de promover a consciência ecológica sobre a importância e os benefícios dos insetos ao ecossistema, a iniciativa curitibana ajuda a conversar as espécies de abelhas nativas sem ferrão que somam 300 no Brasil das 420 no mundo. As pequenas fecundadoras responsáveis pela renovação do ciclo vegetal estão ameaçadas de extinção e representam apenas 2,1% de todas as espécies de abelhas no mundo, 20 mil no total.

“O mais importante do projeto é a sensibilização, o que move todo esse processo, porque inúmeras pessoas desconhecem totalmente a importância das abelhas. Buscamos acender nos cidadãos o instinto protetor que elas tanto necessitam”, ressalta a entomóloga da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Solange Regina Malkowski, uma das responsáveis pelo projeto na capital paranaense. 

COMUNIDADE VIRA PROTETORA

Jardins de Mel no Parque Tingui - Levy Ferreira/SMCS

De acordo com Solange, os jardins espalhados pela cidade têm despertado o interesse dos munícipes pelas abelhas nativas sem ferrão e a preocupação da comunidade em manter os ecossistemas para evitar a perda de habitats e utilizar métodos menos agressivos na produção de alimentos.

Nos espaços públicos, as colmeias ficam próximas de árvores e flores e cada uma tem uma “casa”, com o telhado pintado de acordo com a espécie que abriga. Por meio de um código QRcode nos locais, a população também tem acesso a mais informações sobre o projeto.

A seleção das colmeias a serem instaladas nos Jardins de Mel, segundo Solange, é bastante rigorosa, preconizando sempre colônias fortes já com melgueira. Como são colocadas próximas a unidades de conservação, elas sempre recebem recursos alimentares suficientes e todo o mel produzido é reutilizado pelas abelhas na polinização.

CAPACITAÇÃO

Para aproximar a comunidade do projeto, o município oferece cursos mensais gratuitos, de quatro e de oito horas, para formar “Guardiões das Abelhas sem Ferrão”. Mais de 10 mil pessoas, entre professores, gestores públicos, estudantes e comunidade em geral já foram treinadas.

A ideia é que a própria comunidade possa replicar o projeto e instalar jardins de mel em suas residências. As capacitações englobam o comportamento das abelhas, as principais espécies, técnicas de meliponicultura e atividades práticas de manejo, como transferências e divisões de colônias.

O morador pode, inclusive, adquirir sua colmeia com os produtores ou aprender a capturar as abelhas com a confecção e instalação de iscas pet.

“O benefício mais importante é que o projeto despertou paixão, afeto pelas abelhas e pela conservação da natureza. Isso se observa tanto nos adultos, quanto nas crianças, que demonstram até certa ansiedade na visualização de abelhinhas em flores. Aliás, uma consequência extremamente positiva é o intenso cultivo de jardins com plantas melíferas implantados em escolas e residências. Sem contar, claro, com o maior benefício que é essa ‘injeção de polinização’ que o município de Curitiba tem recebido e que ao longo dos próximos anos os resultados serão mais visíveis”, destaca Solange.

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