Postado em 16 de Abril de 2018 às 16h02

Terras Secas

Resp. Ambiental (33)

Escassez de água em regiões brasileiras causa preocupação e estimula novos projetos para levar frescor às comunidades semiáridas do País.

Por Carol Bonamigo

Apesar do Brasil ser detentor de 13% da água doce superficial do planeta, quase 900 cidades já apresentavam situações de emergência reconhecidas pelo Governo Federal, entre janeiro e março de 2017, por um longo período de estiagem. O estado da Paraíba, no Nordeste, foi o mais afetado, com 198 municípios registrados junto à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), naquele período. Já Brasília, por exemplo, enfrentou, no ano passado, a maior escassez de água desde a sua fundação.

De acordo com o Sebrae, 17% das pequenas e microempresas sofreram com os impactos da crise hídrica de 2017, e um estudo do Serviço aponta que 31% dos pequenos negócios devem ser afetados pela falta de água em 2018. O impacto deve ser maior nos empreendimentos das regiões do Distrito Federal (53%), Goiás (55%) e Centro Oeste (44%).

As apurações deixam em sinal de alerta. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 1,8 bilhões de pessoas no mundo usam fontes de água contaminada. Já a Organização das Nações
Unidas (ONU)
afirma que o planeta enfrentará um déficit de 40% no abastecimento de água potável em 2030.

Movidas pela escassez iminente de recursos hídricos, inúmeras iniciativas vêm ganhando força para levar água potável a quem necessita. É o caso da Waves for Water, criada pelo surfista Jon Rose que, desde 2009, viaja com sua equipe a comunidades carentes para ensinar a população como utilizar filtros especiais desenvolvidos pelo exército norte-americano, para transformar água suja em potável. O projeto já alcançou mais de 7 milhões de pessoas em 27 países – incluindo Indonésia, Nicarágua, Haiti, Índia e até o Brasil.

Outro programa é o Aqua: Water4Health, da ONG Mundo A Sorrir, em parceria com a Águas do Porto, o Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, a DTE e a Engenho e Rio, cuja primeira missão foi realizada na região da Macia, Província de Gaza, em Moçambique.

O projeto prevê a construção de infraestruturas e equipamentos capazes de transportar água potável às comunidades, a capacitação dos profissionais locais, a sensibilização da população sobre a importância do acesso e o cuidado com água potável e o saneamento básico.

Unindo forças

Estima-se que haja atualmente 35 milhões de brasileiros que não têm acesso a água potável, sendo a maior parte deles localizada no semiárido. Nesta região, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, famílias perdem até seis horas por dia buscando água. Visando ajudar essas comunidades, há dois anos a Ambev lançou a água AMA, expandindo seus programas de preservação e uso consciente deste precioso líquido.

A marca destina 100% de seu lucro para projetos que levam água às famílias da região mais seca do País, atingindo R$1 milhão em lucro de vendas já em seu primeiro ano. Mais de 6 mil pessoas foram beneficiadas com a construção de poços para captação de água ou adutora, além de uma mini usina gerada por sistema fotovoltaico para distribuição da água a um baixo custo. “Isso abre portas para a melhora na qualidade de vida destas famílias. Já temos planos para sete novas comunidades, além de incentivos para projetos inovadores de acesso à água desenvolvidos por empresas juniores e startups”, comemora Carla Crippa, diretora de Sustentabilidade da Ambev e cocriadora da AMA. “Este resultado mostra que os consumidores brasileiros estão abertos a produtos com causas sociais”, complementa.

Desta forma, a cervejaria contribui para que o sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU seja concretizado: garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos. “A AMA não vai só financiar projetos que aumentem o acesso à água potável, mas vai, também, ser uma forma de conscientizar mais pessoas, de trazer atenção para esse problema, de conectar as pessoas que vivem hoje em um mundo tão polarizado e individualizado”, diz Renato Biava, diretor de sustentabilidade da Ambev.

Atuando para recuperar e preservar as principais bacias hidrográficas do Brasil, em 2010, a Ambev lançou o Projeto Bacias. Em 2015, a cervejaria ampliou esse trabalho e anunciou a participação na Coalizão Cidades pela Água, uma iniciativa liderada pela ONG The Nature Conservancy, que pretende aumentar a disponibilidade de água para mais de 60 milhões de brasileiros.

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