Postado em 22 de Dezembro de 2017 às 11h42

Encantador de cavalos

Espaço Animal (12)

A interação com o animal traz resultados cada vez mais surpreendentes na reabilitação e reeducação do ser humano.

Por Carol Bonamigo

Felipe tem 10 anos e o pouco controle que tem sobre o próprio corpo utiliza para salientar suas emoções. É com um largo sorriso que ele demonstra o quanto está feliz por estar junto da sua amiga Lua. Da mesma forma, a égua da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Chapecó (Apae) retribui, com muita calma.

Uma vez por semana, Felipe é assistido pela fisioterapeuta Anieli da Costa, a pedagoga Jovilde Câmara e o guia José Martarello nas sessões de equoterapia. Em meio a um espaço repleto de árvores, os estí mulos estão longe de parecer uma terapia e passam a ser um momento de lazer, o qual o garoto aguarda ansiosamente para ter. “Foi maravilhoso ele ter começado a equoterapia, e ele adora. Fortaleceu a musculatura, coluna, cervical, controle de tronco. A gente vê uma progressão enorme, tanto na parte física, motora e comportamental”, conta a mãe, Luciane Pizzi Frighetto.

Revista Servioeste - Saúde e Meio Ambiente Foi uma grande evolução em cinco anos de terapia. Algo surpreendente para um menino que passou seus três primeiros anos mais presente em hospitais que na própria casa. Felipe...

Foi uma grande evolução em cinco anos de terapia. Algo surpreendente para um menino que passou seus três primeiros anos mais presente em hospitais que na própria casa. Felipe é gemelar e nasceu prematuro de sete meses, mas, ao contrário do irmão, teve falta de oxigenação e paralisia cerebral. Na convivência semanal com o cavalo, o desenvolvimento motor e intelectual é imensurável. “Não tem palavras para descrever. É uma realização ver o quanto isso faz bem e o quanto ele se sente bem. A interação com o animal proporciona algo diferente, mais forte, é um momento de paz. E isso é muito necessário, pois toda criança especial, geralmente, é nervosa, por causa das suas limitações. Então a equoterapia ajuda muito também na parte psicológica”, emociona-se Luciane.

A fisioterapeuta da Apae explica que a equoterapia auxilia em dois pontos: o psicoafetivo, através da interação com o animal e o meio ambiente, e a motora, com o andar do cavalo de uma maneira tridimensional. “O movimento gera uma organização muscular que melhora a postura e o equilíbrio deles, com controle de tronco e a força”, demonstra Anieli.

Mas muito mais que qualquer finalidade neuromuscular, o objetivo é fazê-los se aproximarem do animal e de si mesmos. “É só colocar em cima do cavalo que a criança, antes rígida e agitada, começa a se soltar. Eles relaxam e conseguem aproveitar da maneira deles. Faz um bem enorme poder apenas sentir. E isso sai daqui e continua em casa”, afirma a fisioterapeuta.

Revista Servioeste - Saúde e Meio Ambiente Poder cavalgar em um animal grande e imponente também traz segurança e melhora a autoestima. Nem sempre recomendado para pacientes com problemas motores ou neurológicos,...

Poder cavalgar em um animal grande e imponente também traz segurança e melhora a autoestima. Nem sempre recomendado para pacientes com problemas motores ou neurológicos, proporciona, inclusive, um aprendizado cognitivo. Joaquim tem apenas três anos e possui algumas questões a serem trabalhadas, como a disciplina e a paciência para executar comandos. 

Diagnosticado com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), teve um grande avanço nos últimos cinco meses – não coincidentemente, três meses após iniciar a equoterapia. “No início achava que era indicado apenas para crianças com problemas motores, mas pesquisei bastante sobre o assunto e descobri que era prescrito também para o controle da hiperatividade. O Joaquim tinha muita dificuldade de concentração na escola e para participar das atividades. Agora percebo o que ele tem mais calma em esperar a vez dele”, relata a mãe, Catia Bertoti Dorneles.

Os pais, terapeutas e professores descrevem não apenas os avanços que a terapia proporciona, mas a felicidade das crianças em vivenciar o momento. Aos pequenos não é necessário perguntar. Seus sorrisos já dizem tudo.

Sobre a equoterapia

Considerado o pai da medicina ocidental, o grego Hipócrates de loo (458 a 377 a.C.), já aconselhava a prática equestre para regenerar a saúde, preservar o corpo humano de muitas doenças e no tratamento de insônia e mencionava que a equitação, ao ar livre, faz com que os cavaleiros melhorem seu tônus (estado de semicontração, de contração parcial normal, no qual os músculos se encontram constantemente).

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