Postado em 13 de Outubro de 2017 às 15h34

Livre para voar

Espaço Animal (13)

Animais da Falcoaria ajudaram na redução de 30% das colisões de aeronaves com aves no aeroporto RIOgaleão, apenas em 2016.

Pode não parecer, mas ao dividir o espaço aéreo entre aeronaves e animais, o choque entre eles é um fator de risco para ambos. Nos EUA, por exemplo, de 1990 a 2007, cerca de 80 mil incidentes com pássaros foram reportados na aviação civil, quase um impacto para cada 10 mil voos, de acordo com a Administração Federal da Aviação Civil americana (FAA) e o Departamento de Agricultura.

Já no Brasil, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a aviação civil nacional registrou 1.540 ocorrências de colisões entre aves e aeronaves somente no ano de 2012. Mais de metade (54%) ocorrem com aves não identificadas, e entre as identificadas, o queroquero (13%) e o urubu (9%) são os mais atingidos.

Na maioria dos casos, as aves são atraídas pelo lixo acumulado e não descartado corretamente pelas comunidades vizinhas ao aeroporto. A redução da presença de pássaros nestas áreas de forma ambientalmente responsável é uma diretriz da Infraero para evitar as ocorrências.

Buscando sanar estes incidentes, o RIOgaleão – Aeroporto Internacional Tom Jobim possui um Programa de Gerenciamento de Risco da Fauna que segue todas as normativas dos órgãos reguladores e fiscalizadores, como corte e coleta de grama, gerenciamento de resíduos sólidos, monitoramento dos focos atrativos da fauna no sítio aeroportuário e na área de segurança aeroportuária (ASA) e o Manejo da Fauna. Esta última é realizada em parceria com o Centro de Preservação de Aves de Rapina (CEPAR) e conta com a atuação de pássaros e cães, cujo objetivo é afugentar ou capturar outras aves que possam ameaçar a operação do aeroporto.

Conforme a gerente de sustentabilidade do RIOgaleão, Milena Martorelli, a meta da ação é diminuir o risco de colisões entre aves e aeronaves. “Só em 2016, o RIOgaleão apresentou redução de 30% de ocorrências. Para esse trabalho, a CEPAR conta com um grupo de falcões, gaviões e cães. Os animais permanecem no sítio aeroportuário em uma infraestrutura adaptada especificamente para o desenvolvimento da atividade, o que assegura condições adequadas à saúde e ao bem-estar dos bichos”, explica Milena.

O trabalho de manejo de fauna é feito por um grupo de aproximadamente 15 profissionais, entre eles biólogos, veterinários e estagiários. A atuação ocorre diariamente, das 6h às 22h, ou conforme necessidade, inclusive nos finais de semana, e é feita de acordo com a orientação da concessionária e da torre de controle. São realizadas ainda rondas em pontos estratégicos como taxiway, na área do gramado e nas pistas para a busca de ninhos, aves ou potenciais alimentos para esses animais.

Aptas para o trabalho

As aves de rapina são caçadoras naturais, com características que facilitam esse trabalho, como o bico curvo e afiado, garras fortes e poderosas, além de excelente visão e audição. No trabalho que o CEPAR realiza para o RIOgaleão, o objetivo principal é afugentar e capturar aves como urubu, carcará e a garça branca. As aves de rapina são adestradas não para matar, mas apenas para capturar e afugentar os animais.

A atividade de manejo de fauna no aeroporto é autorizada pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e as aves são adquiridas de criadores legalizados e registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Elas nascem nestes cativeiros legalizados e são identificadas, por anilhas, com números colocados nas patas que vão permitir saber o nome do criador e a região de origem. Assim como os falcões e gaviões, os cães de caça também recebem treinamentos. Eles são da raça Pointer Inglês, cuja principal característica é o faro apurado. Os cães farejam e identificam ninhos, filhotes e carcaças que são recolhidas pela equipe.

As aves capturadas passam por exames e cuidados veterinários. O peso delas é aferido e as informações são catalogadas em relatórios e entregues ao INEA. Após esse processo, o pássaro capturado é solto no Parque Natural de Gericinó e os ninhos são enviados a instituições de pesquisa.

Treinamento dos animais

Revista Servioeste - Saúde e Meio Ambiente Treinamento dos animais Inicialmente, as aves de rapina passam por um período de adestramento para que aceitem o comando humano e não se incomodem com fatores externos, tais como os...

Inicialmente, as aves de rapina passam por um período de adestramento para que aceitem o comando humano e não se incomodem com fatores externos, tais como os aviões, caminhões e ônibus. Assim como na adaptação, durante o treinamento cada ave também se comporta de forma diferente. Algumas se adaptam logo às atividades e são treinadas rapidamente. Outras levam um tempo maior de preparação. Após essa fase de adaptação, o animal começa a ser treinado e a recompensa é uma alimentação especial (codorna congelada comprada em frigoríficos).

O condicionamento diário começa com a checagem do peso do animal. Quando determinado peso é atingido, inicia-se o treinamento e as aves são alimentadas passando a atender aos pedidos do treinador. Caso a ação de captura ou afugentamento da ave seja malsucedida, o animal não receberá o prêmio da alimentação especial. Se o objetivo final for a captura, mas o gavião conseguir fazer apenas o afugentamento, ele recebe parcialmente o alimento para que fique claro que o objetivo total não foi alcançado.

Assim como as aves, os cães do CEPAR são treinados apenas para identificar, e não para caçar – quando encontram ninhos, filhotes ou carcaças, os cães fazem um sinal de aponte (levantam uma pata e esticam a cauda). O treinamento é feito com técnicas básicas de adestramento: o cão é estimulado a encontrar os focos para que ganhe uma recompensa (carinhos e petiscos próprios para cachorros).

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